Sobre espiritualidade

O espiritualismo admite a existência de um princípio divido e portanto imortal em todo ser humano, chamado de espírito ou alma. Portanto muitas correntes filosófica e inclusive religiões vão de encontro ao espiritualismo neste ponto, sendo que o que as difere são as diversas crenças do que ocorre com o espírito após deixar o corpo humano ou antes de adentrá-lo, respectivamente em função da morte e do nascimento.

As religiões surgiram ao mesmo tempo em que o homem obteve sua crença na alma e elas tem por finalidade preparar os fiéis para cruzar as portas do além, porém muitas das religiões atuais – na realidade diria que assim como nas religiões primitivas – se resumem na clemência, em pedir a proteção de Deus ou mesmo favores divinos, em troca de alguns “sacrifícios”, que geralmente são bens materiais do próprio pedinte.

As escolas esotéricas também podem ser classificadas como espiritualistas ao se dedicarem a assuntos que dizem respeito a aspectos sutis da natureza. No entanto, os conhecimentos esotéricos são transmitidos a pessoas que se preparam para tal fim, conhecidas como iniciados, assim como os Rosacruzes e Maçons. Já o Espiritismo transmite seu conhecimento a todos que se interessem, de modo irrestrito. A Teosofia tem aspectos tanto esotéricos, quando exotéricos (ou seja, divulga seus conhecimentos ao grande público como também de maneira específica em certos grupos).

  • Alma: é a consciência encarnada ou a essência espiritual que anima cada ser humano.
  • Espírito: tem um significado ambíguo e muito geral (amplo), podendo inclusive ter muitos significados.

O materialismo é a corrente filosófica que só admite a existência da matéria e tem por consciência como sendo apenas uma manifestação ou produto das atividades do cérebro. A pesar de muitos colocarem Descartes como sinônimo de materialismo (cartesiano…) estão enganados pois Descartes era Rosacruz e portanto um sábio místico ou esotérico que certamente admitia nossa transcendência existencial. De qualquer maneira, todo ser humano se questiona em algum momento de sua vida sua questão espiritual.

Nem todo ateu é materialista, de fato muitos são pessoas que foram crentes mas que após diversas provas rejeitaram a fé pregada pelas religiões ou que não aceitam a definição de Deus que é proposta pelas religiões vigentes.

SOBRE ALGUMAS DOUTRINAS E FILOSOFIAS ESPIRITUALISTAS QUE ESTUDO:

A Teosofia é uma doutrina espiritualista que resume ideias filosóficas, religiosas e científicas inerentes às diversas religiões e culturas, consolidada por Blavatsky. Teria surgido inicialmente na Índia e é uma espécie de código moral divino que se encontra na raiz de todas as religiões ao longo da História, porém Blavatsky sintetizou das tradições orientais diversos termos que, através de sua versão moderna da Teosofia foram popularizados no Ocidente de maneira que conceitos tais como Maya (ilusão), Dharma (caminho), reencarnação e o Karma foram amplamente divulgados.

O movimento teosófico é influenciado por doutrinas tais como Taoísmo, o Budismo, a Cabala, o Cristianismo, a Gnose e o Hermetismo.

O lema da Sociedade Teosófica é “Não há religião superior à Verdade”. Na realidade não há nada superior à Verdade, porém esta Verdade pode e é relativa a nosso entendimento. A Verdade também está restrita a nossa lucidez ou limitação na compreensão dos mistérios da existência.

O Espiritismo é uma doutrina espiritualista de cunho filosófico, científico e religioso. Aqui no Brasil as características religiosas está muito presente, porém em sua originalidade observamos no consolidador “Allan Kardec” uma pessoa de forte base investigativa no sentido de organizar as informações passadas passada dos  espíritos aos médios consolidando uma nova doutrina ao mesmo tempo em que também observava o fenômeno com o crivo da razão e discernimento (veja o filme biográfico “Kardec”).

O interessante do Espiritismo é que está em constante evolução – pois utiliza da ferramenta mediúnica que é capacidade inata do ser humano em intermediar as consciências desencarnadas – de maneira que médiuns como Chico Xavier vieram a atualizar e ampliar os conhecimentos espirituais, a exemplo da obra “Nosso Lar” que detalhou muito nosso entendimento das cidades ou colônias extrafísicas.

Como toda doutrina, o Espiritismo também tem suas limitações e dificuldades, já que doutrinas são feitas por seres humanos, sejam eles encarnados ou desencarnados e uma das confusões do Espiritismo com relação à Projeção Astral é dizer que este é um fenômeno mediúnico ou que deverá ser desenvolvido apenas por médios e sob a tutela de algum centro espírita… Balela, a saída consciente do ser humano é inerente a todos nós e independe de doutrinas, filosofias ou religiões. Não há “donos” da viagem astral, mesmo que existam doutrinas que estudem este tema.

Projeciologia: Waldo Vieira trabalhou na mediunidade com Chico Xavier por diversos anos, inclusive psicografando livros em parceria. Livros dos quais um em especial foi psicografado de uma maneira muito interessante já que Chico e Waldo residiam em cidades diferentes de maneira que um psicografava os capítulos pares enquanto outro os ímpares – lembrando que na época mal havia telefones para se comunicarem – e ao unirem os capítulo obtiveram um livro totalmente consistente…

Após alguns desentendimentos internos Waldo deixou o movimento espírita com a finalidade de criar uma nova ciência, uma ciência que teria por base o espiritualismo e também a pesquisa e prática das experiências fora do corpo.

Ao criar uma nova ciência Waldo necessitou criar também termos e palavras com uma estrutura igualmente científica, no sentido de catalogar, detalhar e sintetizar tudo o que havia até então sobre os fenômenos da consciência, portanto a Projeciologia é a ciência da Projeção da Consciência, que é uma parte da Conscienciologia, ciência que trata da consciência.

Alguns termos criados foram muito importantes pois desvincularam a temática das experiências fora do corpo do apego religioso ou cultural. Eu, assim como alguns colegas utilizamos de alguns dos termos, como por exemplo “amparador extrafísico”, em referência à guia ou protetor espiritual. O próprio termo “consciência” é uma tentativa bem-sucedida de desvincular dos termos “espírito” ou “alma”. Somos seres autoconscientes de maneira que nossa Consciência é nossa essência, nossa realidade imortal. Na questão bioenergética o Estado Vibracional também é um termo hoje bastante divulgado.

Por outro lado, outros termos são complicados e alguns até mesmo engraçados, tal como a “baratrosfera” que significa o “umbral” dos espíritas, ou seja, as dimensões doentias onde encontram-se pessoas desencarnadas e perturbadas.

Também não podemos negar que alguns termos foram muito bem pensados tal como “energossoma” para o caso do duplo etérico, já que soma significa corpo e “ener” é um prefixo de energético. Nada mais justo para nomear um corpo energético sutil.

A Projeciologia (e também Conscienciologia) tem por lema o princípio da descrença, definido pelo lema “Não acredita em nada, experimente e tire suas próprias conclusões”, de maneira que diferente das religiões e algumas outras doutrinas esotéricas propões a experiência própria em oposição a crenças com base em tradição e na fé, o que é um posicionamento muito interessante no que se relaciona a projeção astral, paranormalidade e por que não no espiritualismo moderno.

AMORC – Antiga e Mística Ordem Rosacruz (www.amorc.org.br) é uma organização internacional, de natureza filosófica, iniciática e tradicional, que perpetua o Conhecimento dos iniciados do antigo Egito.

Trata-se do conhecimento que grandes pensadores, metafísicos que vem sendo transmitindo desde a mais remota antiguidade. É também uma doutrina espiritualista, mas abordando diversos assuntos, desde conhecimentos científicos, às leis que regem o mundo metafísico.

O que mais me chamou a atenção na AMORC é a sua didática na transmissão dos conhecimentos (através de monografias – pequenos livros – que são enviados pelo correio mensalmente), e também por conter exercícios práticos que visam o desenvolvimento pessoal e também das faculdades psíquicas.

Compreendo a AMORC como uma “faculdade da vida”, abrangendo os assuntos materiais e também imateriais de nossa existência, sob uma roupagem iniciática, ou seja, constituída de graus que o estudante vai galgando no decorrer dos estudos, o que é interessante, pois até chegar no patamar onde abordam a projeção astral (chamada por eles de “projeção psíquica”) terá o estudante uma bagagem de conhecimento considerável, de maneira que não há como “queimar etapas”: é necessário conhecer determinados assuntos antes de estudar a projeção astral.

Naturalmente que a Rosacruz não aborda a projeção psíquica extremamente a fundo, já que a proposta é o desenvolvimento de diversas potencialidades com objetivo de proporcionar uma vida mais harmoniosa para alcançarmos saúde, felicidade e paz, o que envolve diversos temas.

Sendo uma organização de natureza iniciática existe o emprego de iniciações – das quais não há a obrigação do estudando em participar – que tem importância no ponto de vista psicológico e histórico. São como dramatizações que contém simbolismos e nos transmitem conhecimentos que de outra maneira talvez não fossem perfeitamente compreendidos, já que há neste caso também uma reação emocional quanto aos temas abordados nas respectivas iniciações.

O que mais chamou minha atenção na Rosacruz é o posicionamento questionador e filosóficos empreendido aos estudantes, atitude esta que afirma que não devemos aceitar algo sem questionar, que o saudável é sermos como “um ponto de interrogação ambulante”.

Para concluir estas reflexões, deixo a seguir três pontos ressaltados por Ralph M. Lewis, sobre espiritualidade, que permeia todas as doutrinas, filosofias espiritualistas e também religiões:

1 – É reconhecer a transcendência da imortalidade da consciência humana

2 – Reconhecer a existência de um poder onipotente e onisciente

3 – Reconhecer que o homem e todas as coisas tem sua origem no Único Transcendental

E como disse certa vez também Ralph M. Lewis: “espiritualidade é um sentimento pessoal sobre a relação com a divindade, não sendo a aquisição de credos e ritos”.

Acredito que o positivo seja mantermos uma abordagem eclética e universalista no estudo da espiritualidade, de maneira que independente da fonte do conhecimento, ou seja, sendo ela o Espiritismo, a Teosofia, a Rosacruz, ou as religiões e filosofias em geral, o importante é assimilarmos a porção que nos sensibilize a alma e toque positivamente nossa intuição, mantendo sempre o senso crítico para descartarmos o restante.

Espiritualidade é sinônimo de realidade, ou seja, é quando podemos ver além do véu da ilusão gerado pelas nossas crenças, para perceber a realidade que está por trás de todas as coisas.