Encontro com Blavatsky por Geraldo Medeiros Jr.

livro-medeirosLivro: “Relatos de um projetor extrafísico”
Autor: Geraldo Medeiros Jr.

Editora: Ícone
Páginas: 128 até 134.
Relato do dia 05/03/1989

A sensação de sono esvaiu-se completamente. Tentei relaxar, muito embora não conseguisse devido ao intenso calor que fazia naquela noite.

Nenhum exercício fora aplicado para projeção. Adormeci tarde da noite.

Vi-me consciente num local totalmente estranho para mim. O local parecia uma casa antiga, de aspecto rústico. Muitas pessoas circulavam por lá, inclusive estava acompanhado pela minha mãe e minha irmã. Pelo aspecto do lugar pude perceber que tratava-se de um centro de reunião, ou melhor, um centro cultural.

Muitas pessoas entravam e saíam das salas. Tive o interesse de entrar numa daquelas salas para ver o que ocorria, ao mesmo tempo lembrei-me da conversa que havia tido com o nosso querido amigo e cientista Dr. Hernacasa-rusticani G. Andrade, que aconselhou-me a tentar dobrar o poder de observação sobre aquilo que porventura estivesse presenciando. Ressalto que um dia antes havia sido atendido pro sua assistente Profª Suzuki Hashizume para uma prévia análise sobre minhas experiências de projeção.

Para proceder conforme o aconselhado segui os seguintes passos:

1º) Observei a consciência das paredes e das portas existentes no local. Pareciam tão sólidas quanto as que existem em nossa dimensão.

2º) No momento em que entrei na sala para continuar minha observação notei que pessoas estavam sentadas ao redor da mesa, provavelmente reunidas para uma ceia. Não conhecia nenhum dos indivíduos presentes.

Observei a disposição da mesa e constatei que haviam pratos, copos e talheres como os nossos. O cardápio era composto de risoto de batatas e algumas verduras. Segurei uma colher de arroz no intuito de observar e a consistência daquela alimentação era como a nossa e fiquei surpreso em ver que tudo ali era exatamente igual, inclusive ao redor de cada grão de arroz pude notar uma certa oleosidade típica de algum tipo de refogado prévio.

3º) Fiquei intrigado, pois aquele mundo era muitíssimo parecido com o nosso. Questionei-me sobre a presença de minha mãe e minha irmã. Elas não suspeitavam de que estavam fora de nossa dimensão e também, como aquelas pessoas ali desdobradas continuavam com seus comportamentos inalterados, como se mantivessem plena consciência, ou melhor como se fossem habitantes efetivos daquela realidade.

Fomos levados por alguém até um determinado local que presumo ser específico para reuniões e intercâmbio de ideias.

A iluminação do lugar era fraca. Não conseguia notar nenhuma fonte de luz, fosse natural ou elétrica. Passamos por um corredor o qual nos conduzia até a um andar inferior. Neste andar havia uma escada em péssimas condições e, assim, tive que ajudar minha mãe a descer alguns degraus. Achava estranho pois sentia que possuía peso e isso causava-me uma certa insegurança.

Assim pensei:

— Será que mesmo fora do corpo continuo sofrendo influência gravitacional?

Foi quando chegamos a uma sala, um tanto estranha. Não sabia dizer o porquê desta impressão, pois o aspecto do lugar parecia normal, mas alguma coisa no ar não parecia bem.

De repente, vejo próxima à parede, bem a minha esquerda, uma das maiores místicas que já existiu, Madame Helena Petrovna Blavatsky, que me recebeu com muita atenção.

Dirigi-me a ela para conversar quando inopinadamente captou meu pensamento e disse:

— Para mim, nenhuma palavra pode ser ocultada. Sua mente pode ser facilmente perscrutada.

Notei que ao meu redor havia alguns rapazes de características estranhas que auxiliavam em qualquer coisa que porventura necessitasse. Ela se dirigia a eles com seriedade e de maneira um tanto enérgica, numa língua estranha para mim, provavelmente russo.

helena_blavatskyMadame Blavatsky parecia muito mais jovem, com seus olhos que transmitiam mistério e conhecimento.

Externei esta sensação a ela e então sorriu dizendo-me:

— Logicamente, quando estamos nesta forma tudo fica melhor e regenerado.

Sua roupa, até onde consigo me lembrar, era simples e usava um xale no cabelo.

O que realmente mais me impressionava eram seus olhos, claros, que olhavam para mim fixamente. Na verdade não sei se Mme. Blavatsky possuía olhos claros quando em vida terrena.

Tentei fazer um teste sobre leitura de pensamento com ela enquanto encontrávamos todos sentados ao redor dela. Pensei, então, numa palavra, não me lembro qual no momento, e com um sorriso revolou-a sem nenhum problema.

Perguntei-lhe como realizava todos estes fenômenos e qual o nosso objetivo em nos encontrarmos ali reunidos, e assim explanou:

— Estes fenômenos são realizados pura e simplesmente pela ação mental a qual é tão ignorada por vocês. Esta força mental é agregada a entidades afins que manipulam estas informações e executam exatamente aquilo que foi solicitado. No seu caso, quando pediu-me para ler seu pensamento, sua onda telepática foi-me transferida por um elemental o qual a intensificou e traduziu-a para que eu pudesse interceptá-la melhor. E é assim que podemos realizar tudo o que desejamos.

No que se refere a estarmos aqui, esclareço que presto serviços de auxílio para aqueles que necessitam esclarecimentos espirituais.

Subitamente, minha irmã, que estava ao meu lado, solicitou um auxílio, ou melhor, esclarecimento.

Mme. Blavatsky pediu-me para ficar ao seu lado, a fim de fornecer-lhe energia e soliciou a Leila para sentar-se a sua frente.

E assim foi feito. Iniciei uma instrospecção no intuito de auxiliá-la na doação energética. Neste instante, Mme. Blavatsky iniciou a leitura mental quando, de repente, minha visão obscureceu e vi-me na cama de meu quarto com o telefone tocando a toda intensidade.

Isto deixou-me profundamente irritado, pois iria saber algumas coisas que provavelmente poderiam auxiliar minha irmã, ou talvez não devesse possuir tal conhecimento para não piorar as coisas no mundo de Leila.

Levantei. As palavras de Mme. Blavatsky ainda ressoavam em meus ouvidos nitidamente.

Questionei minha irmã, posteriormente, sobre uma eventual lembrança da viagem extrafísica, e assim disse-me:

— Sonhei que estava numa casa de aspecto rústico. Não sabia onde era, mas, para mim, parecia um local onde situava-se uma espécie de escola.

Vi muitas pessoas andando para cima e para baixo. Você estava lá. Não sei por quê encontrei certa mulher a qual não conheço. Perguntei-lhe sobre o que havia numa determinada caixa. No exato momento em que aquilo ia ser revelado, acordei.

Noto que a caixa preta a qual minha irmã referiu-se poderia tratar-se de um simbolismo utilizado por seu subconsciente para melhor aceitação da própria situação consciencial na qual se encontrava.

Rehelena_blavatsky_1ssalto que não possuo grandes conhecimentos sobre Mme. Blavatsky e nunca tive oportunidade de ler nenhuma de suas obras.

Mais uma vez uma projeção grupal ocorre comprovadamente por terceiros através de comparações descritivas de locais frequentados extrafisicamente e situações vivenciadas em outros planos dimensionais.