A multidimensionalidade na física moderna

No domínio de minha limitada compreensão, venho refletir um pouco sobre as modernas teorias da física teórica relacionadas com as várias dimensões do Universo, ou como também chamam, dos “universos paralelos”. Através de minha recente leitura do livro “Hiperespaço – Uma odisseia científica através de universos paralelos, empenamentos do tempo e a décima dimensão”, escrito pelo físico PhD Michio Kaku, pude conhecer um pouco deste complexo e ao mesmo tempo intrigante assunto.

O professor Michio Kaku é conhecido mundialmente por seus estudos de física quântica relacionados com a teoria que unificaria todas as forças da Natureza, conhecida como Teoria das Cordas. Graduou-se em Harvard e recebeu o título de doutor em Berkeley. Kaku realiza uma importante divulgação científica principalmente no aspecto mais “esotérico”, ou me arriscaria a dizer místico, da física teórica.

Compreendi que ficou evidente que a grande mensagem do livro é que “as leis físicas se tornam mais simples num espaço de dimensões múltiplas”. De fato, sob uma perspectiva de múltiplas dimensões, seria simples e natural a unificação de todas as forças da Natureza. São elas: a força eletromagnética, nuclear forte, nuclear fraca e também a gravitacional. O feito científico de compreendermos a unificação delas é por muitos cientistas considerado “o santo graal da física”, seria o fim de uma busca realizada pelas maiores mentes científicas da humanidade, tais como Albert Einstein e, mais recentemente, Stephen Hawking.

É realmente muito mais fácil compreendermos as leis do Universo quando incluímos múltiplas dimensões em nosso universo. A prova disto está nas comprovadas teorias de Einstein, nas quais para que pudessem explicar e demonstrá-las — assim como a gravidade, que é explicada pela distorção do espaço-tempo, ou as que envolvem o fenômeno da dilatação do tempo, a exemplo da velocidade do observador que influencia na passagem do tempo (relatividade) — ele teve que incluir uma quarta dimensão, que é uma dimensão temporal, pois apenas as três dimensões (altura, largura e profundidade), que nos são de senso comum, não seriam suficientes para explicar fenômenos mais complexos, porém fundamentais para as leis da natureza.

Uma explicação da física moderna a partir da concepção de múltiplas dimensões verifica-se no exemplo da natureza da luz. Sabemos que a luz é uma onda, porém a pergunta é: se a luz é uma onda, o que está “ondulando” para permitir sua propagação no vácuo do espaço? Teorias modernas tendem a crer que a luz seja propagada pela vibração da quinta dimensão, ou seja, sob determinado ponto de vista o próprio vácuo está vibrando, de modo que o vácuo no sentido de “vazio” e inatividade é pura ilusão. Com a quinta dimensão, forças (ou campos) como a gravidade, luz, eletricidade e magnetismo são unificadas com base em que todos estes fenômenos são na realidade distorções que ocorrem no nosso Universo, mas cuja origem está em dimensões não visíveis. Chegamos desta forma ao ponto que qualquer teoria tridimensional é “pequena demais” para descrever as forças que governam nosso complexo e ao mesmo tempo magnífico Universo.

Segundo estudo da Teoria das Supercordas, existem 10 dimensões, sendo três de espaço, uma de tempo (espaço-tempo) e mais seis outras que são necessárias para unificar todas as leis que governam o Universo, mas fato é que não podemos perceber outras dimensões, nosso cérebro na realidade já está programado e, por instinto ou senso comum, sabemos que o mundo é tridimensional, porém se todas nossas noções de senso comum sobre o Universo fossem corretas nossa ciência já teria compreendido seus segredos há muito tempo.

Falar sobre quinta dimensão é como descrever as múltiplas matizes de um pôr do sol para uma pessoa deficiente visual. Falar em outras dimensões é como o “mito da caverna” de Platão, e também comparo esta mesma dificuldade a relatar determinadas experiências espirituais, tais como uma projeção astral que pode ocorrer em realidades espirituais onde muitas das vezes tempo, espaço e outras referências comuns para nossa noção de realidade simplesmente não fazem parte.

Muitos cientistas não dão crédito a estas ideias multidimensionais pelo fato de que elas não podem ser medidas em laboratório, estas outras dimensões seriam de tamanho tão pequeno (muito menor do que um próton) que provavelmente nunca teremos equipamentos sensíveis a ponto de detectá-las. Por outro lado, talvez não possamos medir estas outras dimensões justamente por serem elas o que o espiritualismo denomina de mundo espiritual, ou a Teosofia denomina de outros planos, tais como Plano Astral, Plano Mental, etc.

Façamos um comparativo hipotético: imagine que fosse possível a existência da vida em apenas duas dimensões, ou seja, imagine um mundo onde só existam largura e profundidade, alto e baixo não existissem, para os hipotéticos seres bidimensionais que lá habitam. Pois bem, nossa interferência tridimensional em um mundo assim provocaria fantásticos fenômenos “paranormais” do ponto de vista dos hipotéticos seres bidimensionais, tais como os relatados em algumas sessões espíritas onde houve materializações e efeitos físicos cuidadosamente pesquisados por Allan Kardec.

A vivência das experiências fora do corpo, tais como a projeção astral mencionada anteriormente, está também de acordo com as teorias do hiperespaço no que tange aos relatos da maioria das ações realizadas pela pessoa que vivencia em seu corpo sutil (ou corpo astral, psicossoma, corpo psíquico, etc.) fenômenos como atravessar parede, ver através de objetos fisicamente densos, não sofrer a influência da gravidade, visão em 360 graus, entre outros. Interessante mencionarmos que o pensamento espiritualista ou metafísico está de acordo com a física de múltipla dimensão.

Segundo a física da quinta dimensão, um hipotético ser desta dimensão poderia muito facilmente atravessar paredes, realizar o que denominamos de teletransporte e também ter visão de “raios X” assim como alguns clarividentes relatam.

Para que a física possa deduzir teorias de outras dimensões e estruturar um corpo científico, tem de haver uma matemática para calcar-se, justamente pelo fato de não termos como verificar em laboratório estas outras dimensões, então é aí que a matemática nos fornece o suporte intelectual necessário para concebermos estas avançadas teorias científicas.

Srinivasa Ramanujan (1887–1920) foi um matemático indiano autodidata que, surpreendentemente, sem nenhuma formação acadêmica, contribuiu com sua avançada matemática para criar fórmulas sem precedentes que vieram a contribuir posteriormente na Teoria das Cordas de Joseph Polchinski e em outras aplicações recentes de física quântica. Ramanujan dizia sentir que um ser superior, sua deusa, sussurrava as fórmulas que resolviam problemas impossíveis, inclusive em seus sonhos (ou projeções astrais?). A biografia deste gênio indiano da matemática avançada poderá ser assistida no filme “O homem que viu o infinito”.

A Teoria das Cordas é atualmente a melhor candidata para unificar o micro, o macro e todas as forças. Nesta teoria, cada partícula subatômica tal como o próton e nêutron são vibrações das cordas. Tudo que existe é constituído de átomos que por sua vez são compostos por partículas que são a ressonância de um tipo de vibração da “corda”, sendo esta, portanto, a origem dos verdadeiros blocos fundamentais de tudo que existe. Lendo estes conceitos, lembrei-me imediatamente do livro “Caibalion”, que sintetiza os ensinamentos de Hermes Trismegisto (que teria vivido por volta de 1.330 a.C.) no que diz respeito ao “princípio de vibração”, o qual sintetiza justamente o fato de tudo ser vibração.

Com relação ainda ao princípio de funcionamento da unificação das forças, não poderia deixar também de citar um dos cientistas que muito admiro: Michael Faraday. Outro gênio autodidata é Rosacruz, que teve uma infância paupérrima mas que, após superar muitos desafios pessoais, descobriu o princípio da teoria de campo, que mais tarde seria útil pelo fato de que na realidade todas as forças da natureza podem ser expressas como um campo. Mesmo que as equações de campo do mundo subatômico sejam diferentes da gravidade, isto seria um problema se não fosse possível acomodá-las na teoria das múltiplas dimensões.

A teoria das múltiplas dimensões é parte da teoria da própria criação. Poderíamos, com a Teoria das Cordas, compreender até mesmo o que havia antes do Big Bang, sendo assim extremamente complexo para nós obtermos comprovações em laboratório.  Quem sabe outras civilizações mais avançadas do Universo já dominem este problema que a nós é e será por muito tempo intransponível. Quanto à espiritualidade, ela é sinônimo de realidade, ou seja, é quando vemos além do véu da ilusão de um Universo aparentemente sólido e tridimensional.