Espiritualismo universalista

Segundo a Wikiédia o Universalismo é uma crença na qual todos os homens estão destinados à “Salvação Eterna”, em virtude da Bondade de Deus e que existe um Deus Único para todos os povos, independente de Religiões.

Ainda no mesmo verbete encontramos que o termo também tem vários entendimentos, a depender da corrente de pensamento ou raciocínio de quem o estuda. Para citar um exemplo, aqui no Brasil é muito comum a referências ao “espiritualismo universalista”, que se trata de uma corrente filosófica ou um paradigma que diz que cada indivíduo, ao invés de aderir, com exclusividade a um determinado sistema (ou movimento) de crenças e doutrinas faria sua própria síntese ou resumo pessoal a partir das diversas correntes existentes e inclusive às demais expressões culturais da humanidade, a exemplo da arte, da filosofia e da ciência em geral.

Penso que a maioria dos praticantes e estudantes de Viagem Astral tende ao passar do tempo a terem uma visão espiritualista universalista, levando em consideração o fato de que do lado de lá, no plano astral ou espiritual, iremos nos deparar com consciências (ou espíritos) de todas as culturas e linhas filosóficas-religiosas existentes no planeta de modo que se desejarmos uma melhor interação e aprendizado penso que o posicionamento universalista seja o melhor caminho.

Acredito que ter um posicionamento universalista não é realizar uma mistura mística, colcha de retalhos ou fazer uma “salada esotérica” como muitos dizem, mas sim realizar uma “síntese universalista” pessoal de modo a unir o que há de melhor em cada linha, numa somatória sadia ao ponto de expandirmos nossa consciência íntima sem tolher nossa visão para algo único, mas sim com a certeza de que a Verdade não está em nenhum lugar específico, evitando desta forma o consumo de “pacotes prontos” em forma de dogmas que não podem ser questionados ou de uma fé que não possa ser racionalizada e comparada.

Certa vez ouvi em uma palestra o palestrante dizer que o ponto de vista é sempre a vista de um ponto. Seguindo este raciocínio penso que a evolução é maior quando há a liberdade de pensamento e a coragem em realizar uma busca que não se limite em apenas uma crença, um único ponto de vista ou formato.

Uma postura universalista nos chama também para a responsabilidade de treinarmos nosso “crivo do discernimento” de maneira a assimilarmos o que há de bom em cada linha e dispensar o lado pessoal, humano e “egóico” que naturalmente sempre existirá e persistirá em tudo.

Universalismo relaciona-se com: o ecumenismo (unidade entre as religiões), o pluralismo religioso (considerar as diversas religiões existentes como algo necessário às diversas pessoas e culturas), o holismo (sistema que entende que um todo determina como se comportam as partes), a transdiciplinaridade/interdisciplinaridade (que busca o entendimento do mundo a partir do estudo de diversas disciplinas e suas correlações, proporcionando uma maior abertura ao conhecimento).

Aristóteles afirmava um pensamento universalista quando dizia que o todo é maior do que a soma das suas partes, demonstrando que o melhor realmente ocorre quando olhamos para a diversidade ou para os diversos ângulos de uma realidade que é complexa ou invés de colocarmos verdadeira “tapas conscienciais”, a exemplo às tapas colocadas cavalos para que os mesmos olhem e caminhem apenas para uma única direção.

O Universalismo se opões ao “sectarismo”, palavra que nos remete as pessoas apegadas a apenas um único ponto de vista. Pessoas que se acham detentoras da verdade, mesmo sabendo que o Universo é infinito, estreitando a visão, como se a Verdade tivesse ou necessitasse de um dono.

Seguindo este raciocínio concluímos que há diversos caminhos para atingirmos a evolução espiritual e com relação a isto lembro de uma frase do livro “O Poder das Luzes e das Cores – Viagem azul para fora do corpo” de Zueli Leal, que li em minha adolescência, que diz que “todos os caminhos nos levam ao centro”. É justamente isto que nos remete o universalismo, não apontando um caminho único que nos salvará, mas sim nos lembrando de que o Universo é deveras complexo para que algum ser humano ou entidade possa nos dizer que este ou aquele caminho seja o correto, o melhor ou mesmo o único correto.

O seriado de ficção científica Star Trek (ou Jornada nas Estrelas, no Brasil) do qual sou fã, nos demonstra o universalismo no momento em que na cultura do personagem Vulcano chamado Spock é comentado a filosofia da “diversidade infinita em combinações infinitas”, guardando neste conceito a noção da variabilidade ilimitada de nosso Universo. Assim como Gene Roddenberry (que é o criador da série) imagino que, hipoteticamente falando, qualquer ser extraterreno que dominou a capacidade tecnológica de viagens interestelares não poderia ter um pensamento diferente deste.

Revelam-nos afinidade com o espiritualismo universalista pesquisadores e projetores conscientes como Wagner Borges, Luiz Roberto Mattos, Saulo Calderon e muitos outros que não promovem uma verdade única mas sim uma realidade única existente por de trás de toda aparente diversidade.

Ser espiritualista universalista é enxergar a unidade existente por de trás da doutrina espírita, do Hinduísmo, da Projeciologia, do Budismo, da Umbanda, da Teosofia, do esoterismo etc., sabendo que há no universo algumas leis que são naturais e imutáveis tais como o karma, a reencarnação, a existência do espírito reencarnante que existe antes da formação do corpo físico e continua sua caminhada após o descarte do mesmo, mantendo estes conceitos em consideração em diversos lugares, contudo sem que haja “concorrência” entre eles.