Entrevista com Flávio Amaral (2º Parte)

Esta é a continuação e da entrevista concedida por Flávio Amaral, em 05/01/2016

Alexei – No youtube existe um vídeo de uma “Tertúlia” realizada pelo Waldo Vieira e outros conscienciólogos, conforme podemos assistir abaixo:

O título é “Publicação Cosmoética sobre Invexologia tratada ANTICOSMOETICAMENTE” e vemos Waldo criticar ferozmente um livro publicado por você. Após várias e agressivas críticas, que inclui sua própria personalidade, de maneira totalmente agressiva como provavelmente nunca vimos, Waldo utiliza de palavras como “covarde”, lhe chamando de “psicopata”, “mal caráter” etc. Você poderia nos esclarecer o ocorrido? Qual assunto contém este livro publicado por você que provocaria tamanha ira em Waldo Vieira e demais conscienciólogos?

Flávio – Para quem quiser conhecer o episódio em detalhes, as acusações deles e
minhas respostas estão disponíveis no meu website:

http://autopesquisas.blogspot.com.br/2013/01/conscienciologia-nota-deesclarecimento.html.

Tentando ser o mais sintético possível: qualquer tentativa de explicar o ato de
Vieira como discordância de ideias falha. Vieira elogiou meu livro publicamente após ler os originais que estavam na editora (https://www.youtube.com/watch?v=5x_q-8ltyx4 aos 51 minutos).

Um belo dia, em questão de 15 minutos, atendendo a 2 reclamações de coordenadores, muda de ideia e resolve que precisa “acabar com o autor” pois seu livro é um “lixo total”. Posteriormente, não por arrependimento mas para não desgastar mais sua imagem, posa de reconciliador dizendo que “o livro era bom”:

São opiniões que oscilam ao sabor de interesses políticos e casuísmo, e são permitidos lá dentro pois Vieira foi criando, ao longo de 3 décadas, um grupo dócil que lhe dá autoridade absoluta para fazer o que quiser sem ser questionado. Portanto, não foi o livro que o irritou. O livro irritou alguns coordenadores, indignados pois eu larguei o trabalho administrativo e resolvi estudar mais. Eles se acharam no direito de fazer ingerência sobre a editoração do livro, que até então seguia em harmonia junto com a Editares.

O que irritou Vieira é que não permiti que ele me usasse para suas fantasias de
poder irrestrito e absoluto. O segundo problema: o livro é bastante alinhado com a visão de mundo conscienciológica. Quem quiser tirar a dúvida, basta lê-lo no meu website ou me pedir a versão impressa. Além de Vieira, vários voluntários ficaram positivamente impactados com o livro e o elogiaram, incluindo o coordenador dos principais projetos de expansão da Conscienciologia na atualidade – Cesar Cordioli – e o candidato da comunidade a Prefeito de Foz do Iguaçu – Phelipe Mansur.

A terceira falsidade divulgada por eles é de que eu prometi coisas e não
cumpri. A verdade é que houve uma ingerência na qual Vieira, atendendo a poucos indignados, constrangeu a editora, forçando-a a encerrar o trabalho, que mal havia começado. Como eles divulgam que eu prometi revisar o livro se foram eles próprios que abortaram a revisão? É como você se divorciar e depois ficar controlando o ex. Exerci minha capacidade de cidadão e fiz uma independente. Mencionei os 5 revisores que enviaram suas notas por escrito, como um dever de qualquer autor de dar crédito aos que participaram do trabalho. Dois se sentiram ofendidos e me acusaram de tê-los chamados de avalistas, sendo que avalista de livro é uma figura abolida já no século XVIII, na época em que eram proibidas publicações independentes.

Outro crítico, professor de pós-graduação em “Pensamento Crítico”, me acusa de fazer o livro parecer como sendo da Editares, ou seja, ele realmente acha que seus colegas de voluntariado não têm pensamento crítico suficiente para ver que se o livro não leva o selo da Editares, nem menciona a Editares na ficha catalográfica, não tem como achar que foi publicado pela Editares. Essas entre outras mentiras são facilmente desmascaradas por quem der uma rápida olhada no livro.

teaticas-invexologiaO que o leitor encontrará no livro “Teáticas da Invexologia” é a Conscienciologia normal e muito parecida 3 com a de outras obras daquele grupo. A diferença é que foi um livro independente e aquela comunidade não tolera – repito – não tolera que pessoas de fora falem sobre a Conscienciologia. No meu caso, reagiram com agressividade pois o objetivo era me excluir do grupo. Em outros casos eles geralmente agem apenas com indiferença.

 

Alexei – Após receber os ataques do grupo da Conscienciologia como você se sentiu e reagiu, principalmente tendo em vista todo o trabalho desenvolvido para eles, por diversos anos?

consFlávio – Minha primeira reação foi acreditar em meios de reconciliação. Como um cão fiel que, após ser agredido pelo dono, continua junto a este, mais dócil ainda, abaixando a orelha e balançando o rabo. Afinal de contas, a comunidade
conscienciológica era minha fonte de proteção, suporte emocional e meu projeto de vida. Mas logo ficou claro que esta reconciliação só seria possível se eu aceitasse as acusações que estavam sendo feitas contra mim e lhes poupasse de qualquer necessidade de refletirem sobre seus atos. Não é uma reconciliação autêntica mas a aceitação de uma relação onde as instituições (e seus representantes) têm poder de agir como bem entenderem sobre seus membros sem precisarem arcar com responsabilidades. É quase como aquelas confissões medievais forçadas em que a pessoa admite ser bruxa, automaticamente eximindo as arbitrariedades praticadas pelos inquisidores.

Até fiz “consciencioterapia”, onde esta relação ficou ainda mais clara. Então peguei a autoconfiança que me restava e resolvi tocar a minha vida fora dali. Ao longo do tempo houve momentos em que eu não queria saber do assunto; outros nos quais pensar sobre o assunto era algo praticamente obsessivo; outros em que sentia enorme pena daquelas pessoas ou revolta e ingratidão por ter sido  ignorado e até agredido por um grupo ao qual me dediquei com todos meus esforços; outros em que me sentia absolutamente ingênuo como quem despende tempo, dinheiro e dedicação para tentar levar à frente uma canoa furada; outras vezes ainda a comunidade conscienciológica era uma queda de braços, um alvo sobre o qual eu precisaria experimentar as minhas forças. Enfim, nasci de novo e de certa maneira sou uma criança de 4 anos de idade tentando experimentar o mundo. Uma coisa é certa, nunca senti saudades ou vontade de retornar, pois a decepção foi muito grande.

Alexei – Qual sua opinião sobre o cenário da Conscienciologia nos tempos atuais, principalmente após a desencarnação de Waldo Vieira?

Flávio – Enquanto campo de conhecimento ela deve continuar onde está. São obras que não conseguem contribuir muito para o conhecimento humano em geral pois, ao invés de crescerem junto com outras disciplinas, se obrigam a desacreditá-las. Se 4 eu mato o outro, como vou conseguir contribuir e dialogar com ele? Enquanto ela não reconhecer discursos diferentes, permanecerá solitária. Fora do Brasil, a principal força a carregar a bandeira da Conscienciologia é a IAC. Tenho muito carinho pelos seus voluntários,
Wagner, Nanci e muitos outros que trabalham incansavelmente. Sempre
fui bem tratado por eles. Atualmente temos uma certa identidade em
comum, pois ambos fomos “expulsos” pelo grupo de Vieira – eu individualmente e eles enquanto instituição. Isso tem ajudado a nossa aproximação.

iacPenso que a IAC se encontra sob duas forças que no médio prazo podem ser conflitantes. A primeira é a de conduzir pesquisa na área “transcendental”. Isso está levando o grupo a interagir com cientistas de vários grupos, universidades e instituições, congressos etc. O problema é que pesquisa tende a representar altos custos e baixas receitas. Em todo lugar é assim, pesquisa depende de financiamento.

Por outro lado, a IAC precisa de recursos e sua principal fonte, hoje, é  proveniente de cursos e livros. Mas com o trabalho de pesquisa e abertura interinstitucional, é provável que comece a cair um pouco o “charme” da Conscienciologia. Ela sempre dependeu muito de um discurso de ser “a” grande inovação em termos de ciência, conhecimento e desenvolvimento humano. Eu acreditava que era assim até começar a ver o “mundo lá fora”. Acho que a tendência é essa. O estudo multidisciplinar – nem precisa ser pesquisa de fato – vai questionando muitos conceitos conscienciológicos que a comunidade não costuma colocar em dúvida. A própria IAC, na minha percepção, está enfatizando cada vez menos a marca Conscienciologia e procurando falar em Estudos da Consciência. Acho que com o tempo eles irão assumira a identidade de escola de desenvolvimento humano, multidisciplinar, sem ligarem muito para as ideias que são vendidas hoje sob o nome de Conscienciologia.

No campo social é que devemos ver novas configurações da Conscienciologia. Vieira sempre foi um aglutinador. Mas seu estilo de liderança estimulava a dependência dos voluntários, tanto que a pergunta mais comum sempre foi “quem irá substituir Waldo Vieira?” Nas entrelinhas é uma ansiedade do grupo vieirista em ter alguém para seguir. Ele expulsava os pensadores independentes e ficava com as ovelhas dóceis. Agora as ovelhas perderam o pastor. O que vai acontecer? Ficarão sem rumo e talvez sejam alvos de alguns lobos. O lobo não é mal-intencionado mas apenas o que consome a ovelha. O destino da ovelha é servir a alguém. 5 Estes voluntários serviam a Waldo Vieira, acreditando estarem servindo a um ideal, essa abstração chamada “Conscienciologia”. Hoje, eles continuarão lutando por esse ideal. Com o tempo, alguns empreendedores perceberão que conseguem se beneficiar disso. Na minha opinião, serão os investimentos privados, em especial o hotel e, futuramente, a faculdade e o hospital:

Alguns voluntários são sócios ou diretores desses empreendimentos, então conseguirão fechar bons negócios, “parcerias”, com as instituições conscienciológicas, que é uma reserva de mão-deobra gratuita muito  interessante. Procure no Trip Advisor pelo Hotel Mabu Interludium. É impressionante como um hotel com praticamente 1 ou 2 anos de fundação conseguiu tantas avaliações e notas boas. Não digo que não foram merecidas, mas o fato é que a maioria das avaliações lá são de voluntários.

mabu-interludium-fachadaProvavelmente estão sendo sinceros nas avaliações mas não teriam tanta prontidão em avaliar outros hoteis onde ficaram. Moral da história: um empreendimento privado que consiga se associar ao nome da Conscienciologia irá usufruir de um apoio especial e espontâneo dessas centenas pessoas. Isso tudo é trabalho, representa valor, é o sonho de qualquer empreendimento econômico lucrativo. Agora estão colocando um candidato a Prefeito para as eleições do próximo ano. Os voluntários já estão servindo de cabos eleitorais gratuitos, defendendo o candidato nas redes sociais e entre seus amigos e conhecidos. Um prefeito mobiliza também secretários, facilita aprovação de obras etc. Há muito interesse envolvido.

Assista a primeira parte desta entrevista:

Entrevista com Flávio Amaral (1º parte)

Fonte das imagens da segunda parte da entrevista com Flávio Amaral:
CEAEC e Tertuliarium: http://blog.ludevie.com.br/ceaec-foz-do-iguacu/
Livro Teáticas da Invexologia: http://espiritismoapometria.blogspot.com.br/2013/04/teaticas-dainvexologia-livro-de-flavio.html
Vídeo de Flávio Amaral Projeciologia (livro) – https://www.youtube.com/watch?v=B13crIUcNQY
IAC: http://www.iacworld.org/pt-pt/
Hotel Interludium: http://www.zarpo.com.br/mabu-interludium-iguassu-convention/hotel-luxo-foz-do-iguacu-10976.html

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