Entrevista com Flávio Amaral (1º parte)

 

Esta é a primeira parte de uma série de entrevistas concedida por Flávio Amaral, em 05/01/2016

Flávio Amaral é graduado em Economia, mestre em Administração de Empresas, profissional do setor financeiro.
É atualmente estudioso e professor de Parapsicologia, e também autor do site Flavio-Amaralwww.autopesquisas.com que conta com diversos vídeos, artigos, livros e do grupo “O que penso da Conscienciologia” do Facebook, cujo endereço é: https://www.facebook.com/groups/conscienciologialivre
Com relação à Conscienciologia (ou Projeciologia), concebida pelo Dr. Waldo Vieira, Flavio foi voluntário, professor, fundador e administrador de instituições conscienciológicas, no período de 1999 a 2012.
Autor dos livros Inversão Existencial (Editares, 2011, em coautoria), Teáticas da Invexologia (edição pessoal, 2012) e O que penso da Conscienciologia (e-book).

Seu e-mail para contato é famaral@inbox.com.

Alexei – Flávio gostaria de saber como surgiu seu interesse pela Projeciologia (e Concienciologia), que estuda fenômenos também conhecido por outros termos tais como viagem astral, experiência fora do corpo, projeção astral, desdobramento etc.

Flávio – Eu tinha 18 anos quando meu pai me falou sobre a experiência fora do corpo (EFC). Até então nossa família não ligava muito para assuntos espiritualistas.

O primeiro livro que li sobre isso foi o Projeções da Consciência. Naquela noite e outras vezes, nas semanas seguintes, tive experiências de pequenas saídas fora do corpo, que me fizeram questionar minha visão de mundo e cativaram meu interesse daquele momento em diante.

Alexei – Atualmente você tem estudado Parapsicologia. Existe algum assunto específico que lhe chamou a atenção e que esteja relacionado com as experiências fora do corpo?

Flávio – Ccarlos-alvarado-nancy-zingroneompletamente. Recentemente fiz dois cursos à distância com Carlos Alvarado e Nancy Zingrone, casal que tem vastíssima leitura e rigor nas pesquisas sobre experiência fora do corpo. São quase desconhecidos no Brasil pois suas publicações estão nas revistas científicas de língua inglesa.

Nós, brasileiros, somos herdeiros direta ou indiretamente de Waldo Vieira. Acreditamos que a saída do corpo é uma questão de “praticar técnicas”. A pesquisa parapsicológica aponta que não é bem assim e elabora reflexões muito interessantes nesta área. Em primeiro lugar, a saída do corpo é um resultado. É algo orgânico, dependente do seu contexto de vida e interesses no momento. Querer provocá-la sem pensar nisso é quase como querer sonhar com algo que não tem nada a ver com seu contexto. “Essa noite vou sonhar que estou jogando golf” – simplesmente não é assim que acontece.

Para fazer isso eu preciso mudar minha rotina, pelo menos naquele dia, me envolvendo com o assunto. Quem sabe funciona no primeiro dia. No segundo dia, não funciona mais. E para sonhar com jogo de golf a todo momento, o assunto tem que estar realmente integrado na minha vida e na minha mente. Querer bolar um processo artificial para sonhar com jogo de golf só vai aumentar minha ansiedade e frustração.

projecaoO que fazemos não é tentar controlar o fenômeno. No máximo, facilitamos o processo. O que tenho percebido é que nós não “desenvolvemos” a experiência fora do corpo, e sim a “predispomos”. É mais ou menos como outras experiências. Você pode predispor uma experiência de alegria ou de tristeza, fazendo algumas coisas. Não é algo que você “desenvolve” propriamente. Se sua rotina for deprimente, vai ser difícil “desenvolver” um estado de alegria. Existem pessoas que, pela infância ou genética, parecem naturalmente predispostas a sentirem mais alegria do que outras. Afora isso, se você quiser experimentar mais alegria na sua vida, não é exatamente uma questão de treino, mas das transformações que precisará fazer. Vejo a saída do corpo de modo parecido. Mas não vou te dizer que estou 100% certo disso. É apenas uma outra possibilidade, alternativa à visão predominante mais “tecnicista” que encontramos por aí. Acho que são reflexões que precisamos fazer.

Alexei – Com relação à prática das experiências lúcidas fora do corpo (viagem astral) você teria alguma experiência pessoal para nos contar que foi marcante em suas vivências com relação a esta temática?

Flávio – Sim. A experiência em si é marcante. Isso de desgrudar do corpo e começar a flutuar, sabe… Nunca tive experiências marcantes do ponto de vista da comprovação pública, mas vez por outra tenho alguma experiência fora do corpo e sempre são marcantes para evidenciar meu estado mental e existencial naquele momento.

Pode ser uma simples frase do tipo “dê mais atenção à Geoenergia”, que no momento específico e nos meses que se seguiram foi de grande importância para guiar minhas decisões. O que eu faço é uma análise mais profunda possível da simbologia de cada experiência. Sempre encontro respostas interessantes para aquele momento.

Na maioria dos relatos projetivos as pessoas ainda depositam mais atenção para fora do que para dentro de si mesmas. Muitos espiritualistas criticam os cientistas por “não olharem para si mesmos”, mas quando saem do corpo fazem a mesma coisa. Se ocupam com os cenários e inclusive fazem questão de demarcar que aquelas percepções estão “fora”, relutam em correlacionar suas percepções externas e seu próprio mundo subjetivo. Isso ainda não é autoconhecimento. Pessoalmente, prefiro fazer o contrário.

Meu estilo de aprender com as experiências fora do corpo se parece muito com os métodos que alguns Psicoterapeutas utilizam para estudar os próprios sonhos, por exemplo Gale Delaney, Montague Ulmann, Stanley Krippner, Rhea White, Fritz Perls e o próprio Freud. Ainda pretendo escrever mais sobre o tópico. Na página http://autopesquisas.blogspot.com.br/p/parapsicologia.html há 3 links para artigos meus sobre experiência fora do corpo. Eles são um pouco diferentes dos relatos tradicionais, e procuram dar uma ideia para o leitor do que faço e como procuro relacionar o conteúdo das experiências com a minha vida.

Tenho também algo que acredito ser lembrança de uma vida passada e que, no final das contas, acabou sendo também uma premonição, e aí percebi bem os padrões de comportamento meus que estavam se repetindo. Pretendo escrever sobre isso também.

Alexei – Em seu canal “O que é uma Seita” aprendemos diversos conceitos e questões relacionadas a manipulações psicológica que comumente podem ocorrer nas diversas seitas e até mesmo em grupos de estudos dos quais imagino que ocorra de forma tão sutil que não percebermos de maneira lúcida a influência desta condição. Minha pergunta é: existe algum grupo em que a pessoa possa se expressar livremente sem digamos uma “restrição” no que ler, no que pensar e buscar, ou seja, que não nos imponha determinado condicionamento psicológicos? Seria o caso de nos portarmos como universalistas ou pesquisadores livres (autônomos), não filiados a grupos? Caberia o termo “universalista” para expressar uma condição na qual não exista as “amarras” impostas pelas seitas em geral?

heresiasFlávio – Sim, existem, e muitos. Liberdade existe em níveis. Não temos liberdade absoluta nem quando estamos sozinhos. Somos sempre condicionados pelas circunstâncias biológicas e ambientais. Alguns grupos oferecem ambientes mais livres do que outros. Isso que eu chamo de “seita”, por exemplo, costuma exercer uma influência total sobre a sua vida. Ela busca fazer você se desenvolver “para dentro” dela. O ideal, na seita, é você se tornar um membro dela, se comportar conforme seus ideais e se aproximar ao máximo do líder, que é visto como um exemplo de vida incomparável no Planeta.

O sentimento é de que você precisa da seita em 100% e a seita não precisa de você. É uma relação de dependência. Em um grupo aberto, do contrário, você é formado “para fora” dele. Uma escola de idiomas, por exemplo, vocês estabelecem uma relação de troca. Você paga por um serviço. Seu objetivo ali é específico – aprender o idioma – para alguma finalidade que é externa à própria escola. Terminou o curso, você vai embora. A escola não é seu projeto de vida. O que você faz nas suas horas vagas não é problema de ninguém naquela escola. O diretor da escola não é um guru ou mestre. Normalmente os grupos “abertos” irão abrir portas para você se relacionar melhor com o mundo. Os grupos sectários irão deixar você cada vez mais desinteressado pelo mundo e mais grudado naquele grupo específico.

É mais ou menos a diferença entre casar com uma pessoa legal e casar com uma pessoa possessiva, ou a diferença entre consumir um alimento e consumir uma droga que cause dependência.
Alexei – Você foi uma personalidade ativa e bem conceituada na Projeciologia. Atuando como professor, fundando e administrando instituições conscienciológicas, porém já a algum tempo tornou-se dissidente, assim como Wagner Borges, Saulo Calderon, entre outros. Gostaria de saber o que levou você a decidir que lá não era o seu lugar, que era necessário buscar algo além ou que talvez que provocou um sentimento de que aquele não era o seu caminho?

Flávio – Especificamente foi quando percebi a reação de centenas de pessoas que, apesar de conviverem há anos comigo, tanto na sede em Foz do Iguaçu como em outras cidades, aceitaram as declarações mais mentirosas de Waldo Vieira e alguns colegas próximos a meu respeito, e a retaliação que fizeram em retorno, me expulsando e tentando me estigmatizar, em um evento que ficou online e marcou a Conscienciologia para sempre. Naquele momento eu ainda não consegui entender o que estava se passando mas compreendi imediatamente duas coisas:

caec(1) ou aqueles voluntários acreditam em qualquer coisa que venha dos seus líderes (e não apenas acreditam mas agem de acordo, por exemplo, me tirando de trabalhos que eu realizava junto a pelo menos 3 instituições naquele momento)

(2) ou então eles não têm forças para discordar. Qualquer uma das opções
significava que não me interessava mais trabalhar com aquele grupo. Talvez eu estivesse muito fascinado até o momento para ver que a dinâmica possível lá dentro é de seguidores e não de livres pensadores. Em um grupo que tem comportamento de rebanho, só há espaço para pastores e ovelhas. Quem não quiser ser pastor nem ovelha será tratado como lobo, ou seja, alguém que não é bem-vindo.

Não considero a mim, nem a Wagner Borges, nem a Saulo Calderon como dissidentes. Sou apenas mais um espiritualista que gosta de trocar ideias com os outros, interagindo de igual para igual, e não como se eu tivesse a “boa nova” que vai transformar a Humanidade. A comunidade de Waldo Vieira é que se tornou dissidente dela mesma, dos princípios democráticos e científicos que ela defende na teoria. Estão muito obstinados na defesa de uma imagem, com cada vez menos preocupação pelo conteúdo. Da mesma forma que muitas igrejas neopentecostais se afastam cada vez mais dos estudos religiosos e se transformam em salões de eventos, comícios, shows, canais de televisão, publicidade, palanque político, arrecadação de dinheiro, e andam até treinando “exércitos” de Cristo.

 

Fonte das imagens:
– http://archived.parapsych.org/members/n_zingrone.html
– www.viagemastral.com (Saulo Calderon)
– tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/como-reconhecer-uma-seita.html
– www.grupouniversalista.com.br
– parasinapse.blogspot.com.br/2013/05/parelencologia-extrafisica.html

6 comentários em “Entrevista com Flávio Amaral (1º parte)”

  1. Há que alívio encontrar pessoas que pensam e passaram pelo mesmo que eu. Para a concienciologia sou considerada ” borboleta” / buscadora, pousando em vários lugares, nas é assim mesmo que sou, livre!!!

  2. Há que alívio encontrar pessoas que pensam e passaram pelo mesmo que eu. Para a concienciologia sou considerada ” borboleta” / buscadora, pousando em vários lugares, mas é assim mesmo que sou, livre!!!

    1. Sem dúvida! As borboletas polinizam a vida nos jardins e nos campos. Esse “xingamento” que Waldo Vieira criou chamando as pessoas de “buscador-borboleta” é para cortar as asas da pessoa ou deixá-la com medo de sair do próprio casulo. Abraços!

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